#37 – Avenida Atlântica – Balneário Camboriú – SC
“Pour vivre heureux, vivons cachés”
Era uma terça-feira e o céu estava nublado. Isso seria ótimo para engatar bem a semana, mas não para um dia de praia…
Acontece que eu estava em Balneário Camboriú…
Do meu lado direito, estava um bando de hermanos.
Do meu lado esquerdo, também havia um outro monte deles.
Tudo fluía na mais perfeita ordem e harmonia…
O sol voltara a dar o ar da graça…
Na esperança de fugir da sombra e correr para pegar mais dois segundos de sol, graças ao belíssimo planejamento de construir os maiores arranha-céus do país banhando a orla, avistei um cena épica…
Mas antes, preciso reconhecer que, de certa forma, do mesmo modo que o ímã atrai o ferro, esses edifícios de luxo conseguiram atrair o público-alvo em cheio.
Como diria o brilhante Gary Oldman, no melhor sotaque abstrato e impagável em “The Laundromat – A Lavanderia”:
Touché !
E quem liga pra sombra na praia, quando importantes interesses ocultos sussurram com maior retumbância?
Porém, o que interessa aqui e o que conseguiu atrair minha atenção, foi, no mínimo, uma cena admirável…
Tripulação, não é de bom-tom mencionar o nome do prédio, mas ao lado da calçada de um dos maiores e mais imponentes edifícios da renomada FG empreendimentos, havia nada mais, nada menos do que dois caminhões e dois carros estacionados.
Talvez uma cena comum e normal em qualquer cidade do interior do país.
Quem sabe uma cena corriqueira, na nossa Dubai brasileira…
Acontece que eram dois caminhões, mas não eram dois carros…
Você não precisa ser um caminhoneiro profissional “rebitado” para conhecer um caminhão de transporte de cargas em geral.
Não precisa e nem interessa saber diferenciar os tipos de caminhão e de carroceria (baú, sider, plataforma ou seja lá o que for)…
O que importa aqui, é a arte e a genialidade de algumas pessoas…
Eram dois caminhões bem velhos…
Ou melhor, foram maquiados com essa intenção…
Melhor assim…
No primeiro deles, havia os seguintes dizeres: “SÓ VERDURAS”.
No segundo caminhão, estava escrito: “FRETES E MUDANÇAS” e um número de telefone com DDD apagado e apenas 4 números aleatórios…
O primeiro carro, ou melhor, a primeira nave era um McLaren 720S Coupé e essa seria a carga que o caminhão de legumes e hortaliças iria transportar.
Já o caminhão de fretes e mudanças transportaria um brinquedo, cor de laranja, com um nome estranho de Huracán, de uma marca chamada Lamborghini.
Guarde esta seguinte frase: “muitas vezes não imaginamos o peso que certas cargas têm”…
Melhor assim…
Ainda mais quando se trata de duas figuras públicas conhecidas neste nosso país continental.
Na verdade, dois amigos. Um Deputado Federal que se esforça para passar uma imagem de bom-moço e um, Let’s put it this way, empresário bastante conhecido das pessoas que se perdem nas redes sociais…
O próximo destino do comboio seria a tradicional Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo…
Os caras sabem das coisas…
Enfim…
Lembrei daquela cena do filme – Advogado do Diabo – quando o mestre Al Pacino diz: “Não atraia atenção demasiada. Esse é o segredo, meu amigo. Mantenha-se modesto, inócuo, passe desapercebido, o inepto, o marginal, aquele por quem ninguém dá nada…”
Depois disso, é inevitável conter o riso ao cruzar com um caminhão extremamente impecável da Avantgarde ou de qualquer outra Auto especializada em naves, veículos de luxo e carros superesportivos.
A lição que fica, é a seguinte:
“Bene vixit, qui bene latuit” – “Vive bem, quem se esconde bem.”
Ou melhor,
“Pour vivre heureux, vivons cachés”.
Old Misa